PaRtIdA...mais um fragmento...
EsTaÇãO
Ouvi alguém me falar, não sei aonde, se em sonho, em visão, nas historias que meu pai contava antes de dormir, num bate papo que escutei de xereta num ônibus, enfim, existe ouvi e tenho aqui comigo. Essa pessoa me questionou sobre as distancias. Dessa linha que criamos entre as coisas, pessoas e lugares. É como se agente andasse em uma corda bamba o tempo todo, e nunca, nunca pudéssemos arriscar cair dos lados, pra baixo, pra frente ou pra traz, como se essa linha fosse unicamente retilínea, sem possibilidades de curvas, quebradas, atalhos, cavernas e esconderijos e sem saídas. Mas que as vezes é preciso sair dessa linha, ou na verdade perceber e sentir que essa linha nunca existiu, e nunca vai existir. Como viver numa linha que agente mesmo cria? Eu muitas vezes me pego em cima dela, isso me faz mal. Mas hoje consigo ver todas essas alternativas de caminhos e o seu caminho passou pelo meu, sem duvida alguma, atravessou como um trilho de trem que cruza uma estrada. Você pode até passar como um trem, seja a lenha ou um trem bala, o que importa que seus trilhos estão aqui, na minha estrada, pregados pra sempre, com uma possibilidade de passar em qualquer momento. E eu? Estação.
Escrito por zé carlus barreto às 02h24
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uM bRiNdE
Um brinde
Sentados na mesa. Cervejas. Copos. Cinzeiro e cigarros. Já parou pra pensar que na verdade, eu não deveria ter te conhecido agora? E que na verdade esse encontro teria que estar acontecendo mais adiante em nossas vidas. Então para tudo. Um gole. Então não devemos mais conversar, nem se quer continuar com isso. Um trago. Sim podemos estar acabando com nossos destinos. Não. Acabando é pouco. Um gole e um trago. Podemos estar parando um ciclo de nossas vidas que será fundamental para o nosso futuro. Profundo. Não. Muito mais. Outra cerveja. Seria como reescrever as linhas da vida. Sabe? Sei. Outro cigarro. Olha minha mão então. Verdade, você tem razão. Olha as linhas estão mudando. Mais um trago. Pra mim basta. Vamos embora daqui. Pra onde? Ultimo copo. Pra sua casa. Pra minha? E nosso destino e o encontro em hora errada? Copos cheios. Cigarros apagados. Copos se batem. Um brinde a este encontro sem hora nem local marcados. Copos se batem. Um brinde aos encontros dos desencontros. Tim Tim.
Escrito por zé carlus barreto às 01h01
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Um CoNtO a SaUdAdE
Saudades
Saudades. Por que essa sensação me consome a todo tempo? Essa é a pergunta que não lhe sai da cabeça. Tudo que foi vivido sempre é elevado em seu pensamento. O silencio sempre traz um vazio cheio de pensares que coagulam suas idéias. Meu coração para. Toda vez que algo me incomoda ou que é contrario a minha expectativa ou conduta de pensar, é a saudade que me vem. Apego-me em aquilo que já vivi. Debruça então sobre suas pernas e chora. Chora o amargo gosto do perder. Perco mais uma vez para as minhas lembranças maravilhosas, mas que nesse momento de solidão se transformam em angustias e ansiedade. Anseio o agora igual ao ontem. Impossível. Por mais que ele saiba do impossível, ainda acredita nessa possibilidade. Conecta-se onde seja possível e permitido. Transfere suas tensões pessoais para pessoas, relações e vive, tenta viver algo que lhe faça lembrança amanhã, que lhe traga saudades e assim siga sua roda viciosa de saudosismo. Saudades.
Escrito por zé carlus barreto às 19h22
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